Dosimetria de ruído: quando sua empresa precisa avaliar exposição

Dosimetria de ruído: quando sua empresa precisa avaliar exposição

A presença de máquinas, compressores, ferramentas pneumáticas e equipamentos industriais pode expor trabalhadores a níveis elevados de ruído. O problema é que nem sempre a intensidade percebida no ambiente representa a exposição real de cada profissional. Para identificar esse risco, a dosimetria de ruído permite avaliar a exposição sonora durante as atividades de trabalho, considerando a intensidade e o tempo de exposição.

Em operações industriais, essa avaliação pode ser necessária para fundamentar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), verificar condições de exposição e orientar medidas de prevenção.

A KRK Training, especializada em engenharia de segurança do trabalho e higiene ocupacional, realiza avaliações técnicas de agentes físicos para apoiar empresas na identificação e no controle dos riscos ocupacionais.

Mas quando a medição deve ser realizada? A resposta depende das características da atividade, dos equipamentos utilizados e das condições de exposição dos trabalhadores.

Entender esses fatores ajuda a empresa a reconhecer situações que exigem investigação técnica, manter sua documentação consistente e evitar decisões baseadas apenas na percepção do ruído.

O que é dosimetria de ruído?

A dosimetria de ruído é uma avaliação quantitativa que mede a exposição sonora acumulada pelo trabalhador durante suas atividades. O procedimento utiliza um dosímetro, equipamento portátil que registra as variações de ruído ao longo do período avaliado.

Na prática, um operador pode trabalhar duas horas próximo a uma prensa, permanecer em outra área durante parte do expediente e retornar ao equipamento. A dosimetria considera essas mudanças para determinar a exposição.

A avaliação permite calcular indicadores como a dose de ruído e o Nível de Exposição Normalizado (NEN), conforme a metodologia utilizada. Esses resultados ajudam a verificar se a exposição atende aos critérios técnicos e legais aplicáveis.

Qual a diferença entre dosímetro e decibelímetro?

O decibelímetro mede o nível sonoro em determinado local e momento. Já o dosímetro acompanha a exposição pessoal do trabalhador durante um período definido.

Os dois instrumentos podem ser utilizados em avaliações ocupacionais, mas a escolha depende do objetivo da medição. Para trabalhadores que circulam entre diferentes fontes de ruído, a dosimetria costuma ser mais adequada para caracterizar a exposição acumulada.

Quando a empresa precisa fazer dosimetria de ruído?

A necessidade de avaliação depende das fontes de ruído, da duração da exposição e das atividades realizadas. A presença de equipamentos barulhentos é um indicativo importante, mas não significa que todos os trabalhadores estejam submetidos ao mesmo nível de risco.

As principais situações que justificam uma avaliação são:

  • Máquinas e equipamentos ruidosos: operações com prensas, compressores, serras, motores e ferramentas pneumáticas.
  • Exposição variável: trabalhadores que circulam entre setores ou executam tarefas com diferentes níveis sonoros.
  • Identificação de riscos no PGR: necessidade de dados quantitativos para avaliar a exposição e estabelecer controles.
  • Alterações no processo produtivo: instalação de máquinas, mudanças de layout, aumento da produção ou modificações nos turnos.
  • Indícios de alterações auditivas: resultados de audiometria ou queixas que indiquem a necessidade de investigar a exposição.
  • Demandas técnicas e documentais: elaboração ou revisão de documentos ocupacionais, fiscalizações e avaliações relacionadas à insalubridade.

Em uma indústria metalúrgica, por exemplo, operadores de prensas, profissionais de manutenção e trabalhadores da expedição podem apresentar exposições diferentes, mesmo quando atuam no mesmo galpão.

A avaliação deve considerar essas diferenças. Medir apenas o ambiente não significa, necessariamente, conhecer a exposição individual dos trabalhadores.

Toda empresa é obrigada a realizar dosimetria?

Nem toda empresa precisa realizar dosimetria de ruído. A necessidade depende das condições de exposição e da avaliação dos riscos ocupacionais.

A NR-01 exige que as empresas identifiquem os perigos, avaliem os riscos e adotem medidas preventivas. Quando o ruído está presente e é necessário quantificar a exposição, a avaliação deve observar os critérios aplicáveis, incluindo as disposições da NR-09.

Pela NR-15, Anexo 1, o limite de tolerância é de 85 dB(A) para oito horas de exposição diária a ruído contínuo ou intermitente. Já a NHO-01 da Fundacentro estabelece um nível de ação equivalente a 82 dB(A), considerando a exposição normalizada para oito horas.

Esses valores não representam uma garantia absoluta de ausência de danos à saúde. São referências para avaliar a exposição e orientar a prevenção.

Quais são os limites de exposição ao ruído?

A NR-15 estabelece limites de tolerância conforme a intensidade sonora e o tempo de exposição. Quanto maior o nível de ruído, menor o período permitido.

A tabela apresenta alguns valores previstos no Anexo 1 da norma.

Nível de ruídoMáxima exposição diária permissível
85 dB(A)8 horas
90 dB(A)4 horas
95 dB(A)2 horas
100 dB(A)1 hora
105 dB(A)30 minutos

Quando o trabalhador está exposto a diferentes níveis sonoros durante o expediente, não basta comparar cada medição isoladamente com a tabela. É necessário considerar a combinação dos períodos de exposição conforme os critérios normativos.

 

Como é realizada a dosimetria de ruído?

O procedimento começa com o reconhecimento das atividades, dos equipamentos e dos trabalhadores expostos. A partir dessas informações, o profissional responsável define quais funções ou grupos de exposição semelhante precisam ser avaliados.

O dosímetro de ruído é instalado no trabalhador, com o microfone posicionado próximo à região auditiva. Durante a medição, o equipamento registra os níveis sonoros, enquanto as atividades executadas e as condições de operação são documentadas.

A duração da coleta deve ser representativa da exposição. Em uma linha de produção, por exemplo, realizar a medição somente durante um período de baixa atividade pode comprometer o resultado.

A avaliação também exige instrumentos adequados, procedimentos de calibração e interpretação técnica. Uma coleta bem executada precisa representar as condições habituais de trabalho, incluindo as variações relevantes de produção.

O que os resultados da dosimetria mostram?

O relatório apresenta os níveis de exposição obtidos, a metodologia utilizada e os indicadores necessários à interpretação técnica.

Entre eles estão a dose de ruído, que expressa a exposição acumulada em relação ao critério adotado, e o NEN, utilizado para representar a exposição normalizada para oito horas conforme a metodologia aplicável.

Esses resultados podem subsidiar o PGR, orientar medidas de controle e fornecer informações para documentos como o LTCAT. A caracterização de insalubridade e o enquadramento previdenciário, entretanto, dependem de análises específicas e não são definidos automaticamente por um único resultado.

A KRK Training realiza avaliações de higiene ocupacional com instrumentação técnica e procedimentos documentados, permitindo que as empresas utilizem os resultados na gestão dos riscos e na elaboração de documentos ocupacionais.

Quais são os riscos da exposição ao ruído?

A exposição prolongada a níveis elevados pode causar perda auditiva induzida por ruído (PAIR), condição geralmente irreversível. Zumbido, dificuldade de comunicação e menor percepção de sinais de alerta também estão entre as consequências possíveis.

O problema não se limita ao desconforto sonoro. Em ambientes industriais, dificuldades para ouvir instruções, alarmes e avisos podem interferir na segurança das atividades.

A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 1 bilhão de jovens adultos estejam em risco de perda auditiva permanente e evitável devido a práticas inseguras de escuta recreativa. Embora o dado não represente especificamente trabalhadores industriais, demonstra a relevância da prevenção dos danos auditivos.

Dosimetria de ruído: avaliação técnica para prevenir riscos

A exposição ao ruído exige atenção mesmo quando não há queixas auditivas entre os trabalhadores. Em ambientes industriais, a intensidade sonora, o tempo de exposição e as características de cada atividade precisam ser considerados para identificar riscos e evitar danos à saúde.

Uma dosimetria de ruído realizada com critérios técnicos adequados permite verificar os níveis de exposição, identificar necessidades de controle e fornecer dados confiáveis para o PGR, LTCAT e demais documentos ocupacionais. A qualidade da avaliação depende de medições representativas, equipamentos calibrados e interpretação conforme as normas aplicáveis.

Com mais de 10 anos de experiência em engenharia de segurança do trabalho e higiene ocupacional, a KRK Training realiza avaliações de agentes físicos em operações industriais de todo o Brasil. Se sua empresa precisa avaliar a exposição ao ruído ou atualizar seus documentos técnicos, entre em contato com a equipe da KRK Training e solicite uma avaliação especializada.